Em 29 de outubro, o Ministério da Fazenda autorizou até R$ 30 bilhões para linhas de financiamento a motoristas de aplicativos e taxistas, no programa Move Brasil. Os recursos serão geridos pelo BNDES, com base na Medida Provisória nº 1.359, para a compra de veículos novos que atendam a critérios de sustentabilidade. A expectativa do governo é que sejam comercializados no mínimo 200 mil carros.
Quem pode pedir
A linha Move Aplicativos atende dois públicos, segundo a Agência Brasil:
- Motoristas de aplicativo com cadastro ativo há pelo menos um ano e no mínimo 100 corridas nesse período.
- Taxistas registrados, ativos e com regularidade fiscal.
As montadoras participantes também têm exigências, como vender o veículo abaixo do preço de tabela.
O carro de hoje e a corrida de amanhã
Para quem vive de dirigir, o carro é a ferramenta de trabalho. Crédito para trocar um carro velho por um novo pode reduzir custo de manutenção e combustível e melhorar a renda no curto prazo. É uma política para o carro de hoje.
A pergunta de longo prazo é outra. A automação também pode chegar ao volante. Ninguém sabe ao certo quando, nem em que velocidade, carros que dirigem sozinhos chegariam às ruas brasileiras. Mas, se e quando chegarem, a corrida muda: o valor deixa de estar no volante e passa para a frota, o software e os dados. Aí a questão central deixa de ser quem dirige e passa a ser quem é dono do robô.
Dividir o ganho pela propriedade
Frear a automação seria um erro: corridas mais baratas e seguras beneficiam todo mundo, inclusive quem mais depende de transporte. O desafio é que o ganho não fique só com poucos donos de frota. O manifesto do movimento propõe caminhos que funcionam dentro do mercado, e que valem para esse caso:
- Propriedade: cooperativas e empresas de motoristas que possam ser donas de veículos e frotas, inclusive automatizadas, e não só alugar o próprio trabalho.
- Participação nos lucros: quem ajuda a construir uma plataforma pode ser sócio dela, por participação nos resultados e em ações.
- Fundos amplos: fundos diversificados que deem à população participação nos rendimentos do capital, incluindo o da automação.
- Transição: formação e crédito para quem quiser mudar de atividade ou empreender, antes que a mudança chegue.
Nada disso exige escolher entre tecnologia e trabalhador. Exige pensar a propriedade antes que o mercado se forme.
O crédito resolve o carro de hoje. A pergunta da próxima década é quem será dono do robô. Que seja também quem dirige hoje.
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