Em 26 de outubro, a Microsoft anunciou um programa de saída voluntária (Voluntary Exit Offer) para funcionários elegíveis nos Estados Unidos, Canadá, Índia e Reino Unido. Segundo a CNBC, cerca de 60 mil pessoas são elegíveis, perto de 27% de uma força de trabalho de 223 mil. Ao mesmo tempo, a empresa acelera o investimento em data centers para IA: em julho, ela previu mais de US$ 50 bilhões em investimentos de capital no trimestre até setembro, contra US$ 34,9 bilhões no mesmo trimestre de 2025.
Primeiro, a precisão
Não é demissão em massa. É uma oferta voluntária e por tempo limitado, com apoio financeiro e de planejamento de carreira para quem escolher sair, e só em parte das equipes. A própria empresa espera pouca adesão: um porta-voz disse ao Business Insider que espera que 3.000 funcionários ou menos aceitem, e a diretora financeira, Amy Hood, escreveu aos funcionários que espera que “muito poucas pessoas” escolham a oferta, por causa das oportunidades de crescimento dentro da companhia.
Ainda assim, o caso diz algo maior. Empresas estão reorganizando equipes enquanto colocam dinheiro em IA. A pergunta que fica é a do título: quando a IA aumentar a produtividade, quem fica com o ganho?
Frear a IA seria a resposta errada
A tentação de proibir ou atrasar a tecnologia é compreensível, mas custa caro. IA mais barata e melhor pode baratear serviços, acelerar pesquisa e liberar pessoas de tarefas repetitivas. Um país que freia a tecnologia não protege o trabalhador: só importa o produto pronto, mais tarde e mais caro.
A resposta certa é dividir o ganho
O manifesto do movimento propõe avaliar caminhos concretos, sempre julgados por resultado e custo:
- Participação nos lucros: quem trabalha na empresa que ganha produtividade com IA deve poder ganhar junto, por participação nos resultados e em ações.
- Renda: transferências e, quando viável, renda básica, financiadas por ganhos reais de produtividade, não por dívida sem plano.
- Serviços públicos melhores: usar a própria IA para ter saúde, educação e atendimento mais rápidos e eficientes.
- Transição: formação, requalificação e crédito para quem quiser mudar de carreira ou empreender.
A tecnologia não é o problema. O problema seria a abundância ficar com poucos. Dá para crescer e dividir ao mesmo tempo.
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