Em 22 de outubro, o blog de dados do Federal Reserve de St. Louis (FRED Blog) publicou um gráfico simples e chamativo. Do segundo trimestre de 2025 ao segundo trimestre de 2026, a produtividade do trabalho no setor de informação dos Estados Unidos cresceu 13,70%. Na economia como um todo, o crescimento foi de 2,17%.
Pode ser o primeiro sinal da inteligência artificial nos dados oficiais. Antes de ver por quê, vale entender o que está sendo medido.
O que é produtividade, sem jargão
Produtividade do trabalho é quanto cada trabalhador produz. Se a mesma equipe de uma padaria passa a fazer mais pães no mesmo dia, porque ganhou um forno melhor ou organizou melhor o trabalho, a produtividade subiu. É a única fonte duradoura de salários maiores e de preços mais baixos: um país só consegue distribuir mais riqueza se produzir mais riqueza.
O que é o setor de informação
O setor inclui editoras, rádio e TV, telecomunicações e processamento de dados e data centers. É pequeno em gente: responde por só 1,8% do emprego total nos EUA. Mas, segundo o Fed, costuma ser um contribuinte importante para o crescimento da economia, justamente porque sua produtividade cresce rápido.
Fora do normal
A produtividade desse setor sempre cresceu mais rápido que a média. De 2010 a 2026, ela avançou em média 7,68% ao ano, contra 1,22% ao ano na economia toda. O salto recente vai bem além desse padrão. O gráfico do Fed começa de propósito no início de 2024, quando ferramentas de IA generativa como ChatGPT, Gemini, Copilot e Claude se espalhavam rapidamente.
Sinal, não prova
O próprio Fed escolhe as palavras com cuidado: “parece possível” que estejamos vendo os primeiros sinais de ganhos de produtividade causados pela IA. É um sinal, não uma prova. É um setor só, num período curto, e outras causas podem pesar. Mas é o tipo de evidência que faltava: não uma promessa de empresa, e sim um dado público, que qualquer um pode conferir.
A pergunta que importa agora
Se o ganho se confirmar e se espalhar para outros setores, o debate muda de “a IA vai ou não aumentar a produtividade?” para “como esse ganho chega a todo mundo?”. O manifesto do movimento propõe caminhos que funcionam sem desligar o motor:
- Renda: transferências bem avaliadas e, quando viável, renda básica, financiadas por ganhos reais de produtividade, e não por dívida sem plano.
- Serviços públicos melhores: usar a própria tecnologia para ter saúde, educação e atendimento mais rápidos e baratos.
- Participação nos lucros: quem trabalha nas empresas que ganham com a IA deve poder ganhar junto, por participação nos resultados, em ações e em fundos amplos.
- Concorrência: mercado aberto para que o ganho vire preço menor para o consumidor, e não lucro protegido de poucos.
Escrevemos sobre o lado do emprego em A IA vai acabar com todos os empregos?
Os primeiros ganhos da IA começam a aparecer nos dados. Agora a tarefa é dividi-los sem desligar o motor que os criou.
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