Em 30 de outubro, o Estadão contou a história da CUTIS-AI, uma ferramenta de inteligência artificial desenvolvida pelo Einstein Hospital Israelita em parceria com o Ministério da Saúde, por meio do Proadi-SUS. Ela ajuda profissionais da rede pública a identificar suspeitas de sete condições: esporotricose, leishmaniose cutânea, hanseníase, cromoblastomicose, lobomicose, tuberculose cutânea e lesões por picada de aranha-marrom.
A ferramenta foi construída com mais de 4 mil imagens de lesões de 1.448 pacientes, coletadas em dez centros de referência nas cinco regiões do País. Nas avaliações, teve acurácia de 80%: acertou cerca de 80 em cada 100 casos.
Como funciona
Um modelo analisa a foto da lesão (cor, formato, textura); outro avalia informações clínicas do paciente; os dois resultados são combinados. Para caber na rotina do posto de saúde, a equipe reduziu o questionário original de 254 para 12 perguntas. E a ferramenta funciona sem internet, o que importa onde a conexão é fraca. A proposta é apoiar a investigação do profissional, não encerrar o diagnóstico.
Por que essas doenças
São doenças que atingem com mais força quem já tem menos acesso a tudo. Entre os participantes cujas fotos foram usadas no projeto, 19,1% não tinham água tratada em casa. Para quem mora longe de um dermatologista, uma suspeita bem feita no primeiro atendimento pode encurtar muito o caminho até o tratamento.
O que ainda falta
A ferramenta ainda está em teste. A avaliação nos centros colaboradores está prevista para outubro e novembro de 2026, e a transferência para o Ministério da Saúde, para dezembro. A chegada ao SUS pode acontecer em 2027, dependendo dos testes e da avaliação regulatória. Há limites reconhecidos pela própria equipe: o desempenho para cada tom de pele ainda precisa ser avaliado, existem condições que o modelo nunca viu, e será preciso definir como uma suspeita vira encaminhamento e tratamento.
Abundância no serviço público
Tecnologia que barateia o conhecimento de especialista e o leva a quem mora longe é uma das formas mais concretas de dividir os ganhos da IA. Feita com dados da população brasileira, testada com cuidado e avaliada antes de chegar à rede, ela amplia o alcance de quem já cuida das pessoas. Serviços públicos melhores são um dos caminhos do nosso manifesto.
Especialista no bolso de quem mora longe de um. Testado antes, avaliado sempre: assim a IA chega a quem mais precisa.
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