Liberalismo
da Abundância

Nota · 29/10/2026

Dívida bruta e juros: o que são e por que importam

O dólar subiu e a bolsa caiu após o segundo turno. Para entender a conversa sobre contas públicas: o que é dívida bruta, o que é dívida líquida e como a Selic pesa no custo da dívida.

Na segunda-feira, 26 de outubro, primeiro pregão depois do segundo turno, o dólar fechou em alta de 8,21%, a R$ 5,403, a maior alta percentual diária desde 13 de janeiro de 1999. O Ibovespa recuou 13,88%, para 176.608 pontos, e a bolsa acionou o circuit breaker durante a manhã. Um dia assim tem muitas causas e não cabe num placar eleitoral. Mas um tema aparece em quase toda análise: a conta da dívida pública. Vale entender, sem jargão, o que ela é.

Dívida bruta e dívida líquida

A dívida bruta do governo geral (DBGG) é tudo o que devem o Governo Federal, o INSS e os governos estaduais e municipais. Em agosto, segundo o Banco Central, ela chegou a 82,9% do PIB, ou R$ 11,1 trilhões.

A dívida líquida do setor público (DLSP) olha o setor público como um todo e desconta o que ele tem a receber, como as reservas internacionais. Em agosto, ficou em 69,3% do PIB (R$ 9,2 trilhões). As duas medidas importam: a líquida mostra a posição patrimonial; a bruta mostra quanto precisa ser pago e refinanciado, e é a que o mercado mais acompanha.

Por que o juro pesa tanto

Dívida cobra juro, e juro não pago vira mais dívida. Nos doze meses até agosto, os juros nominais do setor público somaram R$ 1.182,2 bilhões, ou 8,86% do PIB, contra 7,61% do PIB nos doze meses anteriores. Em 2026, a dívida bruta subiu 4,2 pontos percentuais do PIB; só a incorporação de juros respondeu por 6,5 pontos, parcialmente compensada pelo crescimento do PIB.

Como a Selic entra na conta

Parte da dívida é corrigida pela Selic, e o restante é refinanciado a taxas que acompanham as expectativas para ela. O próprio Banco Central calcula o efeito: uma redução de 1 ponto percentual na Selic, mantida por doze meses, diminui a dívida bruta em R$ 65,8 bilhões, ou 0,49 ponto do PIB. O efeito é simétrico: uma alta de 1 ponto aumenta a dívida na mesma medida.

É aqui que confiança vira dinheiro. Quando há dúvida sobre a sustentabilidade da dívida, investidores cobram um prêmio maior, o juro sobe e a dívida cresce mais rápido. Quando há um plano crível, o prêmio cai, o juro pode cair e sobra mais espaço para investir e proteger quem precisa.

O que defendemos

Mais dívida pode valer a pena, mas só com evidência de que ela é sustentável: custo, fonte de financiamento e cenário pessimista na mesa. Isso vale para qualquer governo e qualquer proposta. Escrevemos mais sobre isso em O recado do mercado não é de partido. É de conta.

Sem um plano crível, o juro alto come a abundância de todos. Com ele, sobra espaço para crescer.

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