Liberalismo
da Abundância

Nota · 31/10/2026

Dívida dos EUA passa de 100% do PIB

A dívida americana nas mãos do público chegou ao tamanho da economia, a primeira vez desde 1946. Dívida pode financiar o futuro, mas só com evidência de que é sustentável.

Os Estados Unidos fecharam o ano fiscal de 2026, em 30 de setembro, com a dívida nas mãos do público praticamente do tamanho da economia. Segundo o Tesouro, a dívida com o público era de US$ 32,4 trilhões nessa data. O PIB do ano fiscal (do quarto trimestre de 2025 ao terceiro de 2026) foi de mais de US$ 32,2 trilhões, segundo o órgão de estatísticas econômicas do país (BEA), citado pelo The Hill.

A razão entre os dois ficou pouco abaixo de 100,1%, segundo o The Hill. Pelo cálculo do Wall Street Journal, foram 100,03%, contra 99,4% no fim do ano fiscal de 2025. É a primeira vez desde 1946 que a razão chega a três dígitos. O recorde é daquele ano, logo depois da Segunda Guerra: 106% do PIB. E o Escritório de Orçamento do Congresso (CBO) projeta 120% em 2036.

Não dá para comparar direto com o Brasil

A “dívida com o público” é o que o governo federal americano deve a terceiros, como bancos, governos estaduais e locais e outros países. Ela não inclui o que o governo deve a si mesmo: somando essa parte, a dívida total passa de US$ 40,5 trilhões. Já a dívida bruta brasileira (DBGG) segue outra metodologia e inclui estados e municípios. Por isso, os percentuais dos dois países não devem ser postos lado a lado. Explicamos a métrica brasileira em Dívida bruta e juros: o que são e por que importam.

A lição vale para qualquer país

Dívida não é um mal em si. Ela pode financiar infraestrutura, ciência e a transição para uma economia mais produtiva. Mas o preço sobe quando a confiança cai: segundo o The Hill, a dívida crescente e a incerteza econômica fizeram os juros dos títulos americanos subirem neste ano. E juro mais alto encarece o crédito de todo mundo, das famílias às empresas.

O nosso critério é o mesmo para qualquer governo: mais dívida, só com evidência de que ela é sustentável.

Dívida pode financiar o futuro. Sem evidência de que é sustentável, o futuro vira juros.

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