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Nota · 04/11/2026

Empresas já gastam US$ 176,8 bilhões por ano com IA, estima a Menlo

Pelas estimativas da Menlo Ventures, o gasto das empresas para usar IA saltou 5,4 vezes em um ano, e mais da metade do dinheiro novo veio de orçamentos novos. A IA cria um mercado; a pergunta é como dividir o ganho.

A gestora de capital de risco Menlo Ventures publicou em 3 de novembro seu relatório anual sobre IA nas empresas. A estimativa principal: o gasto das empresas para usar IA chegou a US$ 176,8 bilhões em setembro de 2026, contra US$ 33 bilhões em 2025. Pelas contas da própria Menlo, um salto de 5,4 vezes em um ano.

Dinheiro novo, não só dinheiro trocado de mão

Muita gente temia que a IA só fosse tirar receita de quem já existe, como as empresas de software tradicionais. O relatório aponta outra coisa: 55% do gasto adicional com IA veio de orçamentos novos, e não do dinheiro que já ia para software ou para salários. A adoção também avançou: a parcela de empresas que usam IA subiu de 55% para 65%.

Boa parte desse salto vem dos agentes, programas que executam tarefas por conta própria em vez de só responder perguntas. Na OpenRouter, uma plataforma que dá acesso a centenas de modelos, os agentes já geram 80% de todos os tokens, segundo dados da plataforma citados no relatório. A Menlo lembra que a OpenRouter é só um canal e que seus usuários são mais desenvolvedores e startups do que grandes empresas.

Leia com cuidado

Os valores de mercado são estimativas da própria Menlo, montadas a partir de uma pesquisa com quase 400 tomadores de decisão de empresas dos EUA, feita pela Morning Consult em setembro, além de balanços públicos e relatórios de terceiros. E há um conflito de interesse declarado: a Menlo investe em várias empresas citadas no relatório, como Anthropic e a própria OpenRouter. Não é motivo para descartar os números, mas é motivo para lê-los como o retrato de quem aposta no setor.

Um mercado novo pede uma divisão nova

Se a estimativa estiver certa, a IA está criando um mercado, não só redistribuindo o que já existia. É a mesma lógica que vimos em IA mais barata, gasto maior: quando a tecnologia fica útil, o uso cresce e surgem atividades novas. Essa é a boa notícia.

A pergunta que importa agora é como esse ganho chega a todos, e não só a quem vende ou compra IA. O nosso manifesto propõe três caminhos que se somam: dinheiro direto para as pessoas, serviços públicos melhores e participação nos lucros de quem trabalha. Quanto antes esse debate começar, mais fácil será combinar as regras.

A IA está abrindo um mercado novo. O desafio é fazer esse ganho chegar a todo mundo.

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